Confira as 20 pragas que ameaçam atingir as lavouras do Brasil

11/10/2017 13h50 | Atualizado em: 11/10/2017 14h04

Caso entrem no país, espécies podem prejudicar culturas como milho, soja, mandioca, batata, arroz e várias frutas.

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), em parceria com a Embrapa elaboraram uma lista com as 20 pragas exóticas ainda ausentes no Brasil, mas que podem chegar ao país, ameaçando a economia agrícola. As pragas podem prejudicar culturas como milho, soja, mandioca, batata, arroz e várias frutas.

Três das pragas listadas já contam com planos de contingência. Existem atualmente cerca de 500 pragas quarentenárias, entre fungos, insetos, bactérias, vírus, nematoides e plantas daninhas oficialmente reconhecidas como ausentes no Brasil. Confira um resumo das 20 pragas prioritárias que estão na lista do governo para ações de vigilância e pesquisa:

Cirsium arvense (planta daninha) - Trigo, milho, aveia e soja
O Cirsium arvense (L.) Scop. (cardo-canadense) é uma planta infestante extremamente nociva em climas temperados. Afeta lavouras de ervilha, milho, feijões, alfafa, beterraba açucareira, trigo, soja, pastagens e pradarias, entre outras. É de fácil dispersão com sementes minúsculas que podem ser conduzidas pelo vento a distâncias de até mil metros.

A espécie merece atenção nos estados do Sul do Brasil, pois se apresenta morfologicamente semelhante a outros cardos já existentes nessa região, o que dificultaria sua detecção precoce.

African Cassava Mosaic Virus (vírus) – Mandioca
Considerada a doença mais significativa da cultura da mandioca, o mosaico da mandioca é causado por um complexo de diferentes vírus, predominante em todas as regiões de cultivo de mandioca da África subsaariana e no subcontinente indiano. Possui várias formas de transmissão, inclusive por meio de manivas (ramas) infectadas.

Uma característica fundamental das áreas geográficas gravemente afetadas pelo mosaico é a presença de grandes populações de moscas-brancas nas plantações, vetor desse complexo viral. A transmissão é do tipo persistente, e o vírus pode ficar retido na mosca-branca por até nove dias.

Anastrepha suspensa (inseto) – Goiaba
Também conhecida como a mosca-das-frutas-do-caribe, ataca preferencialmente a goiaba, mas infesta várias outras espécies de importância econômica, como os citros. Algumas características que a praga possui favorecem a ocorrência de prejuízos: alta variabilidade genética, alto potencial reprodutivo e alta adaptabilidade a diferentes ambientes. Há significativo risco de introdução no Brasil, pela fronteira com o Estado do Amapá.

Algumas espécies de Anastrepha podem voar até 135 quilômetros. Portanto, o movimento natural pode ser um meio importante de dispersão. Já no comércio internacional, o principal meio de dispersão para áreas não infestadas é o transporte de frutas contendo larvas vivas.

Bactrocera dorsalis (inseto) – Frutíferas
É uma espécie de mosca-das-frutas com alta capacidade reprodutiva. Ataca mais de 300 espécies de plantas, como goiaba, laranja, maçã, manga e pêssego. É a principal e mais destrutiva praga de frutas nos países em que se encontra e está entre as cinco principais pragas agrícolas no Sudeste Asiático. Sua introdução em novas áreas geralmente ocorre via transporte de frutos infestados, especialmente por passageiros aéreos e encomendas.

Boeremia foveata (fungo) – Batata
A gangrena-da-batata tem como agente etiológico o fungo Boeremia foveata. As culturas da batata, beterraba, cenoura, cevada, ervilha, cidra e quinoa são hospedeiras do fungo, que é nativo da região dos Andes. O risco de introdução no Brasil deve-se à presença do patógeno em países fronteiriços (Colômbia e Peru), além do Chile na América do Sul.

Esse fungo pode sobreviver no solo, mas a principal forma de dispersão se dá por trânsito de batatas-sementes infectadas. O risco de introdução é potencializado pela ausência de sintomas nos tubérculos durante o cultivo devido ao período de incubação. Também há o risco adicional de acometimento de outras culturas nacionais.

Brevipalpus chilensis (ácaro) – Kiwi e videira
Ácaro conhecido como falso-ácaro-vermelho-chileno, tem como principal hospedeiro a uva, mas também ataca kiwi, limão, caqui, cherimoia, ligustro e várias flores e plantas ornamentais. Os ácaros se desenvolvem na parte de baixo das folhas, principalmente ao longo das nervuras, causando amarelecimento e encarquilhamento de folhas e morte de brotos.

Devido ao seu tamanho, o ácaro pode ser facilmente transportado em material vegetal vivo ou morto. É uma ameaça para cultivos de uvas no sul do Brasil.

Candidatus Phytoplasma palmae (fitoplasma) – Coqueiro
O amarelecimento-letal (AL) é uma doença causada pelo fitoplasma Candidatus Phytoplasma palmae. A variabilidade desse microrganismo é alta, inclusive com relatos de que existem diferentes fitoplasmas associados à doença dependendo da região do planeta em que ocorre. A transmissão por meio da cigarrinha Haplaxius crudus já foi confirmada, com possibilidade de haver outros insetos vetores. Recentemente, espécimes de H. crudus foram coletados na região Norte do Brasil.

A principal planta hospedeira dessa doença é o coqueiro, sendo considerada a mais devastadora doença dessa cultura no mundo. Porém, o AL também causa a morte de mais de 40 espécies de palmeiras. Até hoje não foi detectada nenhuma variedade de coqueiro resistente. A região Norte do Brasil pode ser considerada a área com maior risco de introdução do AL, devido à proximidade com o Caribe e ao intenso trânsito de pessoas nas fronteiras portando material vegetal ou insetos transmissores infectados.

Cydia pomonella (inseto) – Maçã
A mariposa Cydia pomonella é considerada a principal praga da maçã no mundo. Os hospedeiros primários são a maçã, nozes, pera e marmelo. Já os secundários são as frutas de caroço (pêssego, ameixa, nectarina, cereja e damasco). Embora atualmente seja considerada uma praga quarentenária ausente do Brasil, ocorreu entre 1991 até 2014, ano em que foi considerada oficialmente erradicada.

No entanto, sua presença na Argentina e ampla distribuição geográfica tornam a probabilidade de uma nova introdução não desprezível. O impacto seria considerável, visto o alto potencial biótico da praga para condições ambientais brasileiras. É uma praga de regulamentação internacional, o que faz com que países importadores das frutas brasileiras imponham restrições sanitárias.

Ditylenchus destructor (nematoide) – Milho e batata
Nematoide com ampla gama de hospedeiros, que compreende mais de 90 espécies de plantas, sendo a batata a principal. Outras plantas hospedeiras são batata-doce, cenoura, beterraba, plantas daninhas e várias plantas ornamentais como lírio, tulipa, gladíolo e dália. Os efeitos da praga podem ser percebidos após a colheita ou durante o armazenamento dos tubérculos. A espécie é capaz de sobreviver à dessecação e baixas temperaturas. Após o desenvolvimento do nematoide, os tecidos tornam-se necrosados e há invasão de bactérias, fungos, ácaros e outros nematoides.

Fusarium oxysporum f.sp. cubense Raça 4 Tropical (fungo) – Banana
O fungo Fusarium oxysporum f.sp. cubense é o agente etiológico da doença denominada mal-do-panamá. A doença ocorre no país, mas especificamente a Raça 4 Tropical desse fungo é uma praga quarentenária ausente do Brasil e das Américas. Estima-se que mais de 80% das bananas cultivadas sejam suscetíveis a essa raça, com destaque para as cultivares do grupo Cavendish, resistentes às raças 1 e 2.

O fungo pode ser disperso associado a plantas infectadas, além de solo contaminado ou qualquer instrumento, equipamento e até mesmo calçados que carreguem solo. O fluxo de água em áreas contaminadas pode aumentar o foco da doença. No Brasil, pode causar sérios impactos à produção visto que praticamente todos os materiais plantados comercialmente são suscetíveis à Raça 4 Tropical.

Globodera rostochiensis (nematoide) - Batata
O nematoide do cisto da batata é considerado uma das principais pragas da batata em áreas de clima temperado e também em climas mais quentes nas localidades mediterrânea e chilena onde as batatas são cultivadas durante a temporada inverno-primavera. Possui cerca de 150 espécies hospedeiras do gênero Solanum. Muitas dessas são espécies selvagens encontradas na América do Sul (batata amarela e batata roxa).

Pode demorar até 20 anos a partir do momento em que G. rostochiensis é introduzido em uma área antes de os sintomas serem observados nas plantas de batata. As perdas podem ser de até 80% em áreas tropicais de cultivo de batata, nos quais o nível de infestação pelo nematoide é alto e o cultivo é contínuo.

Lobesia botrana (inseto) – Videira
Inseto conhecido popularmente como traça-da-uva ou traça-dos-cachos-de-uva. Trata-se de uma pequena mariposa, com menos de um centímetro e meio que ataca as flores e os frutos das videiras. É uma praga polífaga, que se desenvolve em plantas de mais de 25 famílias. Na cultura da uva, põe seus ovos isoladamente, distribuindo-os no cacho de uvas, o que dificulta sua visualização, e as lagartas alojam-se no interior dos cachos, sendo difícil o seu controle.

Está presente tanto na Argentina quanto no Chile, que exportam uvas para o Brasil, sendo que a Argentina faz fronteira com o País, ou seja, pode ser introduzida na região Sul, que tem áreas de produção de uvas e condições climáticas para que a praga se estabeleça.

Moniliophthora roreri (fungo) – Cacau
A monilíase tem como agente etiológico o fungo Moniliophthora roreri. As culturas do cacaueiro e do cupuaçuzeiro sofrem os maiores impactos da praga. Mas a doença pode incidir também sobre plantas silvestres do gênero Herrania, conhecidas como cacau-jacaré. A incidência da doença em países fronteiriços eleva o risco de introdução no Brasil pela região Norte.

Estima-se que a monilíase pode causar perdas de até 80% na produtividade de frutos no Brasil, caso não haja controle da doença, com o consequente abandono de áreas ou aumento dos custos de produção.

Pantoea stewartii (bactéria) – Milho
É uma bactéria originária da América e afeta o milho, principalmente o milho doce, causando uma murcha conhecida como a doença de Stewartii. Os sintomas caracterizam-se por listras amarelas, encharcadas ao longo das folhas e pela murcha. A bactéria sobrevive em restos culturais e é transmitida por sementes. Uma forma importante de dispersão dá-se, ainda, pelo inseto-vetor, o besouro Chaetocnema pulicaria.

Plum Pox Virus (vírus) – Pessegueiro e ameixeira
Sharka ou plum pox é uma das doenças mais destrutivas de frutos de plantas do gênero Prunus. É particularmente prejudicial em damasco, ameixa-europeia, pêssego e ameixa-japonesa, porque reduz a qualidade e causa queda prematura de frutos.O agente causal, Plum pox virus (PPV), é facilmente transmitido por muitas espécies de afídeos de forma não persistente e por enxertia. O movimento do material vegetal propagativo infectado é a principal maneira pela qual o PPV é disseminado a longas distâncias. A transmissão por enxertia pode contribuir para a disseminação viral se o material de plantio a ser utilizado não for certificado. 

Striga spp. (planta daninha) – Milho e feijão-caupi
Striga ou witchweed (erva-de-bruxa) é um gênero parasita do sistema radicular que drena nutrientes, carboidratos e água das plantas hospedeiras causando atrofia, murcha e clorose. Mais de 30 espécies de striga são reconhecidas no mundo, 80% das quais são endêmicas na África. Striga asiatica (L.) Kuntze é semiparasita de cereais como milho, sorgo e arroz e de cana-de-açúcar, e é considerada a espécie do gênero mais difundida pelo mundo.

Já a Striga gesnerioides (Willd.) Vatke tem o hábito holoparasita (parasitismo completo), sendo praga de fumo, feijão-caupi e batata-doce. Essa espécie ocorre no Leste da África e recentemente foi relatada na Flórida e Guiana.

Tomato ringspot virus (vírus) - Frutíferas e tomate
Vírus que infecta fruteiras de clima temperado, como framboesa, amora, maçã, ameixa, cereja, pêssego, uva e morango, que são propagadas principalmente por mudas e estacas, perpetuando os vírus nos pomares, caso o material esteja infectado. Além disso, é transmitido por sementes de framboesa, morango, pelargônio, soja, tabaco e tomate. Também infecta pimenta, pepino, lírio e orquídeas. A disseminação a curta distância dentro do cultivo ocorre principalmente via vetor, que são nematoides.

A principal ameaça do vírus ao Brasil está representada por sua ampla gama de hospedeiros. Essa ameaça pode se tornar maior em virtude de trânsito de material vegetal infectado e solo com presença de nematoides transmissores.

Toxotrypana curvicauda (inseto) - Mamão
Conhecido como a mosca-do-mamão, o inseto também já foi encontrado em manga e outras plantas. É a principal praga de mamão nas regiões tropicais e subtropicais dessas regiões. Os frutos infestados com suas larvas tornam-se amarelos e caem da árvore prematuramente. A praga dissemina-se por meio do transporte de frutos infestados e por amostras de solo.

Xanthomonas oryzae pv. oryzae (bactéria) - Arroz
Trata-se de uma bactéria que causa a queima bacteriana do arroz ou a murcha denominada “Kresek” em plântulas. O seu potencial de introdução em áreas indenes ocorre por meio de sementes, solos e água contaminados e por meio de plantas selvagens. Representa uma ameaça para o Brasil, pois a bactéria pode ser introduzida pelas sementes e se adaptar em áreas de plantio com temperaturas e umidade elevadas em diferentes biomas.

Xylella fastidiosa subsp. fastidiosa (bactéria) - Videira
A bactéria Xylella fastidiosa subsp. fastidiosa causa a doença conhecida como mal- de-pierce da videira, além de infectar outras espécies vegetais, incluindo a amendoeira e a alfafa. A praga representa grande ameaça por ser altamente agressiva, de difícil controle e disseminada por insetos vetores, as cigarrinhas. O controle químico dos vetores não traz resultados promissores. A bactéria pode se dispersar por meio de material de propagação vegetativa contaminado e pode causar sérios danos à viticultura do País na circunstância de uma introdução inadvertida.

O pesquisador Marcelo Lopes, da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (DF), que integra o grupo de trabalho que atua na priorização, alerta que esse é o status delas atualmente, mas, caso entrem no País, podem apresentar comportamento diferente sob condições brasileiras, atacando, por exemplo, outros tipos de culturas. 

Fonte: Revista Globo Rural
Foto:  Justin Anthony Groves

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